quarta-feira, 2 de junho de 2010

Poesia Gaúcha - O Pica Pau

João Simões Lopes Neto

Pica-pau que fura pau, 
Do pau fez hoje um tambor, 
Para tocar a alvorada 
Na porta do nosso amor.

Pica-pau do mato virgem 
Tem catinga no sovaco; 
De dia, pica no pau, 
De noite, no seu buraco.

Pica-pau do campo raso 
Tem catinga de urubu; 
De dia, pica no pau, 
De noite, como tatu.

Pica-pau da beira d'água, 
Quando choca, faz rãe-rãe; 
Pica em si, pica na gente, 
Pica até na sua mãe.

Pica-pau, de noite escura 
P'ra picar não tem certeza; 
Ele só pica de dia, 
De noite, cai na fraqueza.

O pica-pau, na alvorada, 
Abre as asas p'ra voar; 
De noite tomou descanso 
De dia só quer furar.

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